Posted by: fabioduraes | December 25, 2008

FESTA DE CHANUKÁ

luzes1Escrito por Marcelo M. Guimarães

Primeiramente, o que significa a palavra hebraica Chanucá ? Chanucá significa consagração ou dedicação. Esta festa é também conhecida no meio judaico como Festa das Luzes. Em João 10:22, vemos Yeshua (Jesus) passeando no Templo na comemoração da Festa da Dedicação. Essa passagem é a única passagem bíblica no Novo Testamento que se refere à referida festa. Não encontramos esta celebração no Antigo Testamento porque o fato que deu origem a esta festa ocorreu no ano 162 a.C.

Contexto histórico

Vindo da Macedônia, o império grego expande-se de maneira significativa, conquistando desde o Egito, Oriente Médio, até a Índia. Depois da morte de seu grande Imperador, Alexandre (336-323 a.C.), vários generais lutam pelo controle do Império. O imperador seleucita, Antiochus Epiphanes (175-163 a.C.), conquista o domínio sobre a região do Oriente Médio e investe fortemente contra toda a região da Judéia, impondo os costumes, as tradições, a religião e o pensamento grego Helenístico. Para os judeus, ele proíbe a circuncisão, a observância do Shabat, todas as restrições de comida (Kashrut), e estipula que apenas porcos poderiam ser sacrificados no Templo. Ele mesmo, num gesto de desrespeito e profanação, oferece um porco como sacrifício a Zeus, no interior do templo, no Santo dos Santos. Todos os utensílios do interior e exterior do templo são retirados, e o local passa a ser mais um templo do deus grego Zeus.

É interessante frisar que a cultura e o pensamento helenístico gregos eram muito bem aceitos pelos povos dominados. O culto à mente humana e aos pensamentos filosóficos revolucionários e modernos, eram vistos como expressões de uma cultura extremamente mais desenvolvida. Com exceção de Israel, o pensamento e os costumes helenísticos eram aceitos, quase em sua maioria, de maneira espontânea e não obrigatória, já que um dos aspectos gregos de domínio era a não imposição da sua religião. Os povos dominados eram todos politeístas, e a aceitação de um ou mais deuses de uma cultura muito mais avançada não representava grande problema. Mas, é claro, com a nação de Israel não foi assim. Os judeus sempre foram um povo distinto e separado das outras nações pelo fato de crerem em um só D-us e de terem mandamentos e ordenanças específicas. Por este motivo, o domínio grego em Israel foi bem mais brutal e violento.

Certo dia, um oficial sírio ordena que Matitiahu Ha Macabí (Matheus, o Martelo), cabeça de uma importante família de sacerdotes do Templo, oferecesse um porco no altar. Matitiahu, juntamente com seus cinco filhos, dão início a uma revolta judaica, matando o oficial sírio e todos os seus soldados. Sob a liderança de Matitiahu, outros judeus aderem à revolta. Por oito anos o exército dos Macabeus luta pela libertação de Jerusalém e de Israel. Após a morte de Matitiahu, seu terceiro filho, Yehuda Há Macabí (Judá, o Macabeu), assume o controle da revolta e leva o exército dos Macabeus à vitória sobre o exército grego- sírio no ano de 165 a.C.

O Milagre

Livres então do domínio e da ocupação do exército grego-sírio, os macabeus dão início à purificação do Templo em Jerusalém. No dia 25 do mês de Kislev, no ano 162 a.C., eles realizam, com grande celebração, a rededicação do Templo com a consagração de um novo altar. O chamado ner tamid (fogo eterno) foi novamente aceso na menorá, o grande candelabro de sete pontas do interior do templo. Mas o óleo de oliva consagrado para queimar na menorá era suficiente para mantê-la acesa por apenas um dia, e levaria no mínimo uma semana para se preparar mais óleo. Então, por um milagre do D-us Todo Poderoso, o fogo na menorá continuou queimando por mais 8 dias, tempo necessário para a preparação do novo óleo, conforme o relato no livro de II Macabeus.

Alguns rabinos e autoridades teológicas judaicas consideram como sendo milagre não só os oito dias da queima do fogo na menorá do interior do Templo, mas também a vitória do exército dos Macabeus sobre o poderoso Exército Sírio-Grego. Eles lembram que o Exército dos Macabeus era, em sua maioria, composto por sacerdotes, os quais não possuíam experiência em batalhas, armas ou táticas de guerra. Eles se refugiavam nos montes e nas cavernas ao redor de Jerusalém, e atacavam de noite e sob a forma de ataque surpresa em diferentes pontos da cidade.

A Festa para os judeus

Desde então, os judeus celebram a chamada Festa da Dedicação (ou festa de Chanucá ) todos os anos, durante oito dias, representando os oito dias do milagre do fogo no Templo. O maior símbolo de Chanucá é o candelabro de nove pontas – a Chanukía, como é chamada. A Chanukía possui oito velas e uma vela central, mais alta que as outras, chamada de Shamásh (servo). É costume judaico colocar a Chanukía na janela das casas, de maneira que todos possam vê-la e se lembrar do milagre.

Também é comum, nas noites de Chanucá, a comunhão familiar e entre amigos. O uso de jogos durante Chanucá surgiu na Idade Média, quando os judeus eram proibidos de guardar as tradições e as festas. Eles então, durante as festas, utilizavam-se de variados jogos, para que se alguém estranho os visse, não desconfiasse de que se tratava de judeus realizando alguma cerimônia. Dentre estes jogos, os mais usados eram a Dama e o Dreidel (dado). Este último era muito utilizado durante Chanucá, e acabou por se tornar um dos símbolos da mesma. No Dreidel, tem-se um dado de 4 faces, e em cada face uma das seguintes letras do alfabeto hebraico: nun, guímel, hêi e shin, que são as iniciais da frase: (Nés gadól haiá shâm) “Um grande milagre ocorreu lá!”.

Os judeus celebram, nesta festa, a alegria de serem judeus, o povo escolhido por D-us.

Qual seria o significado desta festa para o crente em Jesus Cristo?

Cremos que os crentes em Yeshua (Jesus) têm bons motivos para celebrar esta festa bíblica, se assim o desejarem. O tema principal de Chanucá é a reconsagração do Templo, e I Co. 6:19-20, relata que nós, crentes nascidos de novo, somos o Templo do Espírito Santo. Somos co-herdeiros em Yeshua das promessas de Abraão (Gl. 3:29).

Nesta celebração, nós crentes temos a oportunidade de nos reconsagrarmos, rededicando nossas vidas integralmente ao Senhor. Não que precisemos de um dia específico para uma reconsagração. Afinal, estamos debaixo da graça de D-us. Mas, trata-se de uma oportunidade na qual podemos celebrar esta data, alegrando-nos coletivamente por termos sido salvos, agradecendo a D-us por este privilégio enquanto tantos ainda perecem separados do D-us de Israel. Apesar de sermos a luz do mundo, vivemos em um mundo que jaz em trevas, que muitas vezes nos contamina, exercendo sobre nós todo tipo de influência negativa. Então, neste dia, sentimos a liberdade de fazer nossa reconsagração, declarando coletivamente que somos livres de qualquer peso e jugo em Yeshua Ha Mashiach. Se meditarmos um pouquinho, quantas vezes pecamos quando comemos, bebemos, ouvimos e vemos o que não deveríamos, ou quando tocamos em coisas que não deveríamos tocar, etc. Arrependemo-nos, então, e consagremo-nos ao Eterno de Israel. D-us nos dá a santidade, mas quem decide manter-se em santidade somos nós.

Lembremo-nos dos livros de Esdras e Neemias. Na reconstrução do Templo, a primeira coisa que se fazia era reconstruir o altar, depois o Templo propriamente dito e, finalmente, os muros. Em outras palavras, não se consagra o Templo sem que se passe primeiro pelo altar de sacrifício, de arrependimento e de santificação.

Isto também se aplica a nós. Primeiro, passamos pelo “altar” do Senhor nos arrependendo. Depois, sim, reconsagramos nossa vida, santificando-nos e nos purificando. No livro de Neemias, vemos a edificação dos muros da cidade. A ordem da restauração era: altar, templo, muro e cidade. Da mesma forma, a ordem para nós é: arrependimento, santidade, edificação e maturidade (representando o local e o estado em que vivemos). Mas, toda esta “dedicação” ao Senhor só pode ser feita por meio do Espírito Santo, o óleo que é multiplicado, derramado em nossas vidas, revelando a pessoa de Yeshua Há Mashiach. Assim como o azeite colocado na Menorá (candelabro de 7 pontas) ou na Chanukía (candelabro de 9 pontas) era puro, sem cheiro e sem fumaça quando queimado, assim também deve ser nossa vida para o Senhor Adonai. Temos que brilhar e reluzir graciosamente a beleza da natureza de D-us através de Seu filho Yeshua.

Agora, entendendo mais um pouco sobre tudo isto, podemos celebrar alegremente nosso culto de Ação de Graças (I Te: 3:9).

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